- A  Lenda –

Porque Os Seres Humanos Mamam Em Suas Mães

Porque Do Abutre Ser Careca

No Corpo Literário de Ifá existem várias histórias sobre lendas à respeito de uma variedade de coisas, como justificativa para o porque dessas mesmas coisas.

Numa delas, diz que no primórdio dos tempos, quando a Terra (Ayé) e o Céu (Òrun) eram ligados entre si, separados apenas por um portão na fronteira entre estes dois mundos. Este portão era controlado por um guardião do portão (Esù), que o abria para que se transitasse entre estes dois mundos. Cada um desses reinos tinha o seu próprio rei o do Òrun era Àjàlórun e o do Ayé era Àjàláyé. Eles  No princípio eles eram amigos e juntos mantinham uma floresta que abastecia os dois mundos em suas necessidades naquela época., que era preservada por ambos, até que se tornasse auto suficiente e que de tempos em tempos era queimada na esperança de que os caçadores encontrassem os animais para abater, costume preservado nas áreas de savanas no território Yorùbá. Depois eles entrevam no terreno e destruíam as tocas dos animais. Mas os animais estavam escasseando. Quando eles queimaram a floresta não tinha animais, somente um rato emó, um pequeno rato castanho. Quando estava na hora da caçada a união se desfazia e eles caçavam o rato incessantemente. Então os reis começaram a disputar o Senhorio dos dois territórios,  Àjàláyé disse que ele era o Senhor supremo e como tal, ele é quem ficaria com o rato emó. Àjàlórun disse que era o mais velho e por isso, ele quem ficaria com o rato. Então a disputa ficou muito acirrada entre eles dois.

              Após algumas querelas, Àjàlórun enfurecido, abandonou a disputa e retornou para o Céu. E disse que em alguns dias mais, todos veriam que ele é quem era o Senhor dentre eles dois.

             Algum tempo depois a chuva parou de cair, o sereno também cessou, não caía a mínima gota de chuva. Os vegetais como o inhame, cresciam tão pouco que nem chegavam a se desenvolver.O milho desenvolveu tão pouco que não chegou à maturação; o feijão brotou, mas não se desenvolvia  As mulheres grávidas não conseguiam untar suas mãos com o ungüento de madeira , as outras mulheres cessaram suas menstruações.e ficaram inférteis. Os doentes continuavam doentes e não curavam seus males.  Os  homens ficam com o sêmem seco dentro de seus órgãos reprodutivos. A fome tornou-se generalizada e atroz e matava até mesmo aqueles que tinham algum pouco de comida. Algumas gotinhas de chuva que caíram as galinha corriam para apanhá-las, as cabras estavam tão famintas que comiam até mesmo as facas e navalhas afiadas que eram deixadas no chão.

            Então Àjàláyé foi a uma reunião com seus sacerdotes de Ifá e o sacerdotes mandaram-no fazer uma oferenda com  dois ratos velozes, dois peixes que nadavam graciosamente, duas galinhas com fígados grandes, duas cabras prenhas com fetos,dois touros com grandes chifres, e também o rato emó causador da disputa. 

            Então ele ofereceu todas as coisas prescritas como sacrifício e o sacerdotes mandaram que eles escolhessem uma pessoa para levar as oferendas ao Òrun e a razão era porque, se o rei Àjàláyé não implorasse ao rei Àjàlórun o bastante, a terra não teria a paz novamente. Eles usaram o rato emó para fazer um sacrifício num prato, Esù pegou seu gongo e o tocou para chamar todos os pássaros e todos os animais para uma assembléia dentro do palácio do rei Àjàláyé. Um sacerdote de Ifá, que era o sacerdote do Abutre, realizou a adivinhação de Ifá para o Abutre Ele disse-lhe para realizar um sacrifício para que ele não sofresse danos pessoais por fazer o bem para outros. O Abutre recusou-se a fazer a oferenda e acusou seu sacerdote de Ifá de mentiroso, È«ù de ladrão e ficou com medo de voar até o céu com medo de morrer por lá. Ele tornou a ouvir o sacrifício prescrito. Quando todos os habitantes da terra se reuniram para a assembléia, o papagaio chegou até à frente e pegou o sacrifício para levar ao Òrun e levantou vôo em direção ao céu. Aí todos os habitantes da terra começaram a cantar. Não muito depois, o papagaio estava de volta com o sacrifício, descendo rapidamente, pesadamente, ele se cansara

            Então o Papagaio negro, gabou-se de ser capaz de levar o sacrifício para o céu, pegou-o e levantou vôo. Então todos começaram a cantar novamente. Não muito tempo depois o Papagaio negro estava sentido dor nas asas também e desceu numa queda vertiginosa. E todos disseram que sabiam que aquilo estava além das possibilidades do papagaio negro, mas eles lhe permitiram mostrar sua habilidades.

            Aí a águia se apresentou irada, e gabou-se de que ela teria levado o sacrifício para o céu numa fração de tempo e pegando-o levantou vôo para o céu. Aí todos sossegaram na certeza de que a águia conseguiria cumprir a tarefa e começaram a cantar novamente. Mas ela também não iria muito além, voou de volta para a terra e colocou o sacrifício no chão.

            Aí então, foi a vez de Àkàlà, o urubu pegar o sacrifício e levar ao céu. Todo mundo começou a cantar novamente, eles diziam: “O papagaio levou o sacrifício mas não pode entregá-lo no céu; o papagaio negro levou o sacrifício, mas não pode entregá-lo no céu; a águia levou o sacrifício, mas não pode entregá-lo no céu.

            Parecia que Àkàlà chegaria ao céu, mas pouco depois ele também estava de volta na terra com o sacrifício colocando-o no chão e todos ficaram silenciosos novamente. Aí os sábios colocaram suas cabeças no chão pensando em apelar para o Abutre, ele não estava muito bem de saúde, mas ele poderia estar brincando apenas só para assustá-los. Então, o Abutre chegou silenciosamente e diante de todos disse que não estava bem, mas que também seria permitido a ele tentar. Moveu-se todo desajeitado como um velho, pegou o sacrifício, moveu-se vacilantemente como se fosse cair e voou, movendo-se vacilantemente até o céu. E todos reiniciaram a cantar. E o Abutre que se movia vacilantemente conseguiu chegar ao céu e Alcançou Olódùmarè.

            Mas, a mãe do abutre estava doente, todos disseram para ele antes de ir, que tomariam conta dela para ele, que ele não se preocupasse. Mas, assim que ele desapareceu no céu, sua mãe faleceu. Mas ninguém teve cuidados com ela. Quando o Abutre chegou aos limites do céu bateu no portão pesada e duramente, o guardião do portão perguntou: “Quem é você?” Ele disse que era o Abutre e que o rei Àljàláyé o tinha mandado até o rei Àjàlórun, então o guardião do portão abriu-o para ele deixando-o passar. Quando o Abutre chegou diante de Àjàlórun,prostrou-se no chão e pôs poeira em sua cabeça repetidas vezes e disse: “O rei Àjaláyé mandou-me saudá-lo com a mensagem de que desde aquele dia em que ele competiu com você, a terra só teve confusão, a chuva parou de cair, além do mais, o rei Àjàláyé  mandou-me expressar sua humilde e completa submissão à você e que você não seria mais importunado,ele tem desde aquele dia, aceito você como o seu Senhor. Aí ele apresentou o sacrifício ao rei Àjàlórun, que balançou a cabeça durante muito tempo e depois sorriu ruidosamente. Então ele levou o Abutre até o jardim atrás de sua casa e mandou-o arrancar três pequeninas cabaças dali. E mandou-o arrancar sozinho e em silêncio e evitar qualquer um que perguntasse o que ele tinha arrancado. Olódùmarè instrui-o de que tão logo chegasse ao portão da fronteira ele quebrasse uma das pequenas cabaças. Quando ele estivesse na metade do caminho entre o céu e a terra, deviria quebrar outra. E quando estivesse bem perto da terra quebrar a última.

            Quando ele chegou no portão da fronteira, quebrou a primeira cabaça, a chuva começou a ameaçar com um trovão alto, todos os habitantes da terra disseram: “Certamente o Abutre conseguiu entregar o sacrifício.”. Quando o Abutre chegou na metade do caminho ele quebrou a segunda cabaça então, a chuva começou a cair. Os pássaros correram para reparar seus ninhos, e os animais a repararem seus locais de dormir, os seres humanos remendava seus telhados eliminando vazamentos. Quando o Abutre chegou perto da terra e quebrou a terceira cabaça, a chuva começou a cair na terra, ante do Abutre pousar ela tinha caído tanto que os rios ficaram cheios, a chuva era tão pesada que o abutre não conseguia enxergar o caminho de casa. Aí ele começou a entrar nas casas de outras pessoas para abrigar-se e não morrer na chuva. Mas, em todas as casas que ele tentava entrar, as pessoas lhe davam uma cacetada na cabeça, noutras usavam um objeto de madeira para bater em sua cabeça, ele foi espancado repetidamente naquele dia, tanto que sua cabeça ficou careca de tanta pancada. E ninguém aceitou o abutre dentro de suas casas. Então, o abutre empoleirou-se na árvore de Ìrókò e cobriu-se com suas próprias asas até o dia raiar.

Antes do raiar do dia o abutre estava faminto, o dia estava amanhecendo e ele olhou à sua frente e viu um grande corpo inchado, então ele começou a comê-lo, não sabendo que era o corpo de sua própria mãe. Quando dia acabou de clarear e os habitantes da terra viram o abutre, começaram a cumprimentá-lo, “bem-vindo, bem-vindo, bem-vindo..!” Mas, o Abutre disse que antes de cumprimentá-los eles deveria dizer a ele onde eles tinham colocado sua mãe. Eles disseram a ele: “Você ainda não tinha chegado no céu quando sua mãe morreu, aí não sabíamos onde você queria enterrá-la  e ela estava causando um forte mau odor, nós arrastamos o corpo dela até àquele local ali.” Quando o abutre chegou lá e viu que ele tinha comido o corpo de sua própria mãe ele disse: “O que é uma pena, é que vocês da terra terão sina igual!” E acrescentou: “Alguma coisa que foi vendida não deve ser vista como um presente e um presente deve ser olhado como um presente. O camaleão tem o poder de pegar para si todas as cores, a saliva que pinga no chão nuca deve retornar à boca. De hoje em diante, qualquer criança que não tenha provado o gosto de sua mãe, jamais será útil na vida.”

            E foi desde aquele dia que todas as crianças passaram a sugar os seios de suas mães. Então não somente ele comeria de sua mãe. os seres humanos também o fariam dali para diante.

 De acordo com esta lenda, este é o motivo pelo qual os seres humanos mamam em suas mães.