ÒRÌṢÀ, ÌGBÁ & ASÈ

 

Òrìṣàs; A maioria ouviu falar mas poucos sabem o significado real dos Deuses africanos.

Os Òrìṣàs são forças da natureza, criadas por Olódùmarè (Deus), e divinizados.

Essas divindades eram cultuadas pelos iorubas do Sudoeste da atual Nigéria e também do Benin e do Norte do Togo, trazidas para o Brasil pelos negros escravizados.

Agem como intermediários entre os homens e as forças naturais e sobrenaturais, são os ancestrais divinizados, ancestrais que evoluiram de dimensões mais elevadas e espiritualizadas, daí o termo divinizados, alguns podem ter a origem la no principio de tudo, e que acompanham cada individuo conforme a sua natureza seu Ásè.

Ásè (citado por Juana Elbein dos Santos, livro os Nago e a Morte) Ásè é a força invisível, a força mágica sagrada de toda divindade, de todo ser animado, de todas as coisas.

 

O Ásè; Cada individuo possui o seu, não aumenta espontaneamente, Precisa ser potencializado e alimentado.

Qualquer realização na existência depende do Ásè, que enquanto força, obedece a algumas leis é absorvível, desgastável, elaborável e acumulável.

É potencializado através dos Òrìṣà e de certos elementos materiais e certas substâncias propiciatórias e uma vez transferido a seres e objetos, neles mantém e renova o poder de realização. Pode ser aplicado e sua quantidade varia segundo a combinação de elementos que o constituem e que são, por sua vez, portadores de uma determinada carga, de uma particular energia e de um particular poder de realização.

O Ásè dos Òrìṣàs, por exemplo, é realimentado através de oferendas e da ação ritual, transmitido por intermédio da iniciação e ativado pela conduta individual e ritual, pode diminuir ou aumentar, por isso necessita de preceitos para mantê-lo. O Ásè encontra-se numa grande variedade de elementos do reino, vegetal, animal, água doce, salgada e da terra contidos nessas substâncias.

 

O Ásè Ìgbá é o nome dos assentamentos sagrados dos Òrìṣà na cultura nago vodun, onde são colocados apetrechos e fetiches inerente a cada um deles na feitura de santo. Ao lado de cada um dos Ìgbás encontramos talhas, quartinhas ou quartiões, que devem conter o líquido mais precioso da vida chamado pelo povo do santo de Omin (água).

Cada Ìgbá Órisá é uma representação material e pessoal, simbolizando a captação de energia oriundo da natureza, ligado aos Òrìṣà correspondentes e sempre emanando energias para seus adeptos e crentes.

Na preparação de qualquer assentamento de orixá os rituais da sasanha, folha sagrada, água (Omim), e rezas entre outros, são imprescindíveis.

Os Òrìṣà são adequadamente representados por símbolos e grafismos próprios de cada um e por extensão por outros elementos como folhas, arvores, favas e contas. O Ìgbá é a sua representação mais adequada, a afirmação de que o Òrìṣà não são elementos da natureza, assim “olhar” o vento não significa olhar para Oya, olhar uma pedra não significa olhar para ṣàngó, olhar para o mar não significa olhar para yemoja, etc..

O mesmo sentimento que um católico tem ao olhar para uma imagem de um santo em sua igreja e altar, o povo de santo tem ao olhar para um Ìgbá.

É muito comum as pessoas, nos seus quartos de santo, “vestirem” seus Ìgbá com suas roupas de Òrìṣà como se fosse o próprio orixá, contudo, Ìgbá são de acesso muito restrito, de uso exclusivamente sacro e ritualístico, não tem visibilidade pública e ficam guardados dos olhos de todos. Mas o Ìgbá não é o orixá no Àiyé!

O Ìgbá representa apenas a ligação entre os 2 espaços, o espaço físico Àiyé e o espaço espiritual o Òrún (Ceú espiritual). É uma “ponte” entre os 2 espaços. Sua função não é trazer o Òrìṣà para o Àìyé porque os Òrìṣà já estão presentes em nossa vida o tempo todo. Sua função é completamente ritualística.

Toda religião tem símbolos e simbolismos. Uma cruz para os católicos representa muito todo o significado da paixão e do sacrifício de Jesus. Assim esse símbolo traduz em sí muito mais do que somente a lembrança da crucificação de Jesus e sim um todo da sua doutrina, poderíamos falar muito apenas olhando para uma cruz, o mesmo vale para um Ìgbá. Nada é mais sagrado por sí só pelo seu uso e nada pode traduzir tanto da doutrina que cobre a religião Yorùbá como o entendimento da sua função.

 

Percio De Ogun

referncias

“Wikipédia enciclopédia livre”
“juntosnocandomble.com.br”

“Juana Elbein dos Santos, Os Nago e a Morte”